Agorafobia: Medo de Multidões e de Usar Transporte Público?

    Você já ouviu falar em agorafobia?

    Talvez você não conheça esse transtorno, mas é provável que você já tenha ouvido falar de “fobia”, certo?

    As fobias são sensações de ansiedade ou medo excessivos em relação a objetos ou situações específicas (como altura, voar de avião, animais).

    Certo, mas o que a fobia tem a ver com “agora”?

    “Ágora”, na verdade, é como os gregos antigos chamavam o espaço público aberto, nos centros da cidade, onde as pessoas se reuniam.

    Bom, agora que entendemos um pouco sobre o seu nome, já é possível ter uma ideia do que se trata a agorafobia!

    Neste artigo vou explicar o que é esse transtorno mental e quais são seus principais sintomas.

    O que é agorafobia?

    Agorafobia é um tipo de transtorno de ansiedade. Ela se caracteriza pelo medo de se expor a situações (principalmente locais com muitas pessoas), nas quais a pessoa acha que algo terrível irá acontecer ou que poderá ser difícil de escapar ou conseguir ajuda caso algo dê errado (1). Esse transtorno é mais comum em pessoas que já tiveram ataques (ou crises) de pânico. Assim, “algo dar errado” pode significar, para a pessoa, ter um novo ataque de pânico ou sintomas parecidos com os da crise de pânico.

    Por conta desse medo ou ansiedade, a pessoa passa a evitar situações como:

    • Usar transporte público
    • Ficar em espaços abertos que possam ter circulação de muitas pessoas (como shopping centers, estacionamentos) ou em lugares fechados (por exemplo, elevadores, lojas ou cinema)
    • Ficar em uma fila ou no meio de uma multidão de pessoas
    • Sair de casa sozinha

    Em todas as situações mencionadas, a pessoa acredita que, caso ela venha a ter um ataque de pânico, por exemplo, será muito difícil de ela conseguir ajuda ou se livrar (escapar) dessa situação.

    Por fim, geralmente, a agorafobia é confirmada como um transtorno quando a pessoa apresenta sintomas por um período de 6 meses ou mais (2).

    Quais são os sintomas de agorafobia?

    A gravidade do transtorno e de seus sintomas varia de pessoa para pessoa.

    Além disso, de forma geral, são divididos em sintomas físicos, cognitivos e comportamentais.

    Sintomas físicos

    Os sintomas físicos surgem durante situações onde a pessoa se sente ansiosa ou com medo.

    Quando ocorrem, se parecem com os sintomas de ataque de pânico e incluem:

    • Batimentos cardíacos acelerados (palpitações)
    • Aumento da frequência respiratória (hiperventilação)
    • Sensação de calor ou suor excessivo
    • Mal estar
    • Dor no peito
    • Tremores
    • Tontura
    • Sensação de desmaio
    • Dificuldade de engolir alimentos (disfagia)
    • Diarreia
    • Zumbido no ouvido

    Entretanto, como essas situações costumam ser evitadas, esses sintomas são menos comuns.

    Sintomas cognitivos

    Os sintomas cognitivos de agorafobia incluem medo de:

    • Um ataque de pânico lhe cause constrangimento diante de outras pessoas
    • Morrer devido o ataque de pânico (pensando, por exemplo, que seu coração irá para de bater ou que você não será capaz de respirar)
    • Não conseguir fugir do lugar ou situação no caso de um ataque de pânico
    • Estar perdendo a sanidade mental (“achar que está ficando louco”)
    • Ficar fora de controle em público
    • Ficar vermelho (de vergonha) ou tremer em público
    • Pessoas encararem você
    • Não conseguir sobreviver sem a ajuda de outras pessoas
    • Ser deixado sozinho em casa

    Sintomas comportamentais

    Os sintomas comportamentais podem incluir:

    • Evitar situações ou lugares que possam causar ataques de pânico
    • Ficar preso em casa, sem poder sair por um longo período de tempo
    • Sempre precisar de alguém de confiança por perto ao sair de casa
    • Evitar ir para longe de casa

    Quando devo procurar um médico?

    Procure um médico caso tenha a suspeita de que possui sintomas de agorafobia.

    Por exemplo, se você perceber que está evitando situações que seriam comuns para a maioria das pessoas a ponto de prejudicar sua capacidade de estudar, trabalhar ou se relacionar com as pessoas.

    Para realizar o diagnóstico, o médico pode pedir para que você descreva seus sintomas com detalhes.

    É muito importante que você exponha o que você sente, com que frequência e em que situações os sintomas surgem e como eles afetam a sua rotina e seus relacionamentos.

    Às vezes pode parecer difícil falar sobre seus sentimentos e a vida pessoal, mas vale a pena o esforço de tentar superar esses tipos de barreiras e descrever sua situação ao seu médico de confiança.

    Quanto mais detalhes você puder informar, maiores as chances do seu médico chegar no diagnóstico correto.

    Por fim, se o seu caso for de agorafobia, ele poderá iniciar um tratamento adequado para você.

    Por exemplo, o tratamento poderá incluir psicoterapia (3) ou uso de medicamentos (4), a depender da avaliação médica.

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    (Autor)

    Como graduando do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e escritor do Vitalismo tenho como propósito trazer informações sobre saúde de qualidade e baseadas em evidências científicas com uma linguagem de fácil acesso para toda a população. Ingressei no curso de Medicina em 2018 por vocação e amor ao cuidado. Agora tenho a oportunidade de levar essa minha paixão para todos leitores do Vitalismo. Além disso, sou fundador da Liga de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da UNESP e atualmente sou coordenador da Liga de Ortopedia de Botucatu.

    William Fan (Revisor)

    William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo e entusiasta da conciliação entre as pesquisas científicas com os melhores níveis de evidência e o desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

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