Ansiedade: Saiba Quando ela Vira um Verdadeiro Problema

Certamente você já ouviu falar de alguém com ansiedade.

Aliás, pode ser que você também seja a pessoa que já ficou ansiosa, até porque é algo muito comum, não é verdade?

No entanto, o que poucos devem se lembrar é que a ansiedade é consequência de algum tipo de estresse.

E quem nunca passou por uma situação estressante?

Mas e aí, o que é estresse?

Veja aqui se você concorda: estresse é uma condição que surge quando os eventos superam a nossa capacidade de se adaptar com tranquilidade.

Inclusive, vou descrever duas situações para demonstrar a ideia.

Primeiramente, imagine que você está caminhando em um parque e nota que tem uma pedra pequena no meio do caminho.

Diante disso, você simplesmente se desvia dela para evitar pisar nela, sem sequer pensar muito e continua a sua caminhada.

Neste primeiro caso, você se adaptou a um evento (uma pedra no caminho) sem qualquer problema, como se nada tivesse acontecido.

Por outro lado, vamos supor que agora você perceba que existe uma cobra a alguns metros de distância.

E aí, como você se adapta a este novo evento?

Bom, pode ser que você seja uma pessoa bastante despreocupada com estes animais, mas aposto que a maioria de nós ficaria pelo menos um pouco perturbado com a situação, não é mesmo?

Ora, eis aqui um exemplo simples de evento estressante.

Ou seja, o evento causou algum tipo de perturbação a ponto de superar a nossa capacidade de se adaptar.

E com isso, sentimos algum grau de perturbação ou inquietude.

Entendi, mas e a ansiedade?

Pois bem, o ponto em que quero chegar é que quando nos deparamos com situações de estresse, podemos reagir de vários modos.

Por exemplo, alguns podem sair correndo de medo, numa tentativa de fuga, alguns ficam paralisados e outros demonstram ansiedade.

Enfim, existe uma infinidade de reações possíveis ao estresse.

Na verdade, quero lembrar que até mesmo um evento positivo pode ser motivo para estresse.

Você duvida?

Veja só, até mesmo uma promoção no emprego ou a mudança para um país muito desejado podem ser eventos que mexem com a nossa capacidade de se adaptar tranquilamente.

Bom, mas deixa eu contar mais detalhes sobre a ansiedade.

O que a ansiedade pode causar?

Na verdade, em muitos casos ficar ansioso pode ser bom para uma pessoa.

Além de ser uma reação ao estresse, a ansiedade também pode funcionar como um alerta para situações de perigo.

Sendo assim, ela nos auxilia a ficar vigilantes quando precisamos tomar decisões difíceis, antes de uma prova ou antes do primeiro dia no trabalho.

Afinal, a ansiedade está normalmente ligada a sensações de medo e preocupação.

E está tudo bem.

Pois precisamos de alguma dose de tudo isso para nos protegermos.

Ou para nos prepararmos para situações desafiadoras de crescimento pessoal.

No entanto, a situação começa a ficar complicada quando sentimos algo que é intenso, excessivo e persistente.

Neste patamar, os sintomas acabam por prejudicar a vida diária de uma pessoa.

E é neste momento que temos um caso de transtorno de ansiedade.

Ou seja, quando a ansiedade (medo e preocupação) deixa de ser uma situação temporária.

Com isso, ela passa a ser debilitante (1), prejudicando os relacionamentos e a performance no trabalho ou na escola.

O que uma pessoa com ansiedade sente?

Além de preocupação e medo excessivos, intensos e persistentes, os seguintes sintomas de ansiedade podem aparecer:

  • Frequência cardíaca elevada (palpitações)
  • Respiração rápida
  • Suor intenso
  • Sensação de fraqueza ou cansaço
  • Tremores
  • Dificuldade de concentração
  • Insônia
  • Problemas gastrointestinais (náusea ou desconforto abdominal)
  • Formigamentos
  • Fuga de situações de gatilho para ansiedade

Por fim, vale lembrar que os sintomas acima também podem estar presentes na crise de ansiedade (um episódio mais pontual).

Quais são os tipos de ansiedade?

Há uma variedade de transtornos de ansiedade, os quais incluem (1):

  • Transtorno de ansiedade generalizada (2): é o tipo mais comum e é ligado a circunstâncias da rotina comum. Pode ocorrer por um motivo pequeno ou mesmo inexistente. Aumenta também o risco de suicídio e eventos cardiovasculares e cerebrovasculares como ataque cardíaco e AVC
  • Transtorno de estresse pós-traumático: após um evento traumático (acidente de carro, assalto)
  • Agorafobia: medo excessivo de estar em espaços abertos ou em público
  • Transtorno do pânico (síndrome do pânico): crises de pânico recorrentes
  • Transtorno de ansiedade social (fobia social): medo excessivo de julgamento por outros
  • Fobias simples: medo de algo específico (altura, aranhas, viagem de avião)
  • Transtorno obsessivo compulsivo: comportamentos repetitivos por pensamentos irracionais recorrentes (como verificar toda hora se a porta está trancada)
  • Transtorno de ansiedade de doença (hipocondria): ansiedade com a própria saúde

Por fim, consideramos importante enfatizar que só passamos a considerar a ansiedade um transtorno quando os sintomas são excessivos, ou seja, são muito mais intensos do que se esperaria de um gatilho estressante.

Além disso, como regra geral o transtorno é considerado quando os sintomas permanecem na maior parte do tempo por mais de 6 meses.

Quando procurar assistência médica?

Procure uma avaliação médica se perceber que suas preocupações interferem com a sua rotina diária do trabalho, da escola ou nos seus relacionamentos.

Além disso, procure ajuda quando sentir que está perdendo o controle em seus pensamentos, tendo muita irritabilidade, ou se estiver se sentindo com depressão ou tendo problemas com bebidas alcóolicas e drogas.

Talvez sua ansiedade possa estar ligada a outros problemas de saúde.

Neste caso, também procure ajuda médica.

Por fim, se estiver tendo pensamentos de suicídio ou pensando em se machucar, procure um serviço de emergência imediatamente.

Lembre-se: existe tratamento para a ansiedade.

Sua vida é muito preciosa!

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(Autor)

William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo e entusiasta da conciliação entre as pesquisas científicas com os melhores níveis de evidência e o desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

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