Você Tem Medo de Agulha? Entenda Agora Sobre a Aicmofobia

Você conhece alguém que tem medo de agulha?

A princípio, é muito comum ouvir relatos de pessoas com esse tipo de temor.

Tal como é as ocasiões de tomar vacina ou tirar sangue.

Mas afinal, quando esse comportamento pode ser sinal de uma fobia (um tipo de medo que é claramente excessivo)?

Nesse artigo, vou lhe explicar de forma detalhada a aicmofobia, ou seja, o medo de agulha ou de objetos pontiagudos que se manifesta de forma exagerada (1).

É normal ter medo de agulhas?

O medo de agulha não é algo anormal, entretanto, a depender da intensidade, pode se tratar de uma fobia, ou seja, um tipo de transtorno de ansiedade. Uma fobia corresponde a um medo intenso e não esporádico de determinado ser, objeto ou situação, que chamamos de “estímulo fóbico”. Em geral, a ansiedade que ela provoca é, na maioria dos casos, desproporcional ao perigo real que o contexto poderia proporcionar.

Quais os critérios para se confirmar o diagnóstico de uma fobia?

Qualquer fobia específica tem como critério diagnóstico a presença de medo intenso (claramente desproporcional) e persistente (ou seja, não pode ser algo transitório).

Outro aspecto é que o medo não é esporádico, por exemplo, não se considera que o quadro é de fobia quando o medo de agulha ocorre em algumas ocasiões e não em outras.

Por convenção, a duração mínima deve ser de 6 (seis) meses para se confirmar o diagnóstico.

Além disso, nota-se que a ansiedade causada por ela provoca prejuízos significativos no funcionamento social do indivíduo (2).

Ou seja, pode trazer sofrimento ou perturbação nas relações sociais, na parte profissional ou mesmo em outras áreas da vida.

Sem contar que o medo se manifesta tanto em antecipação à exposição ao objeto ou situação, quanto durante a exposição de fato ao objeto ou situação temida.

Por fim, vale mencionar que é comum que pessoas com alguma fobia tenham, em geral, fobias múltiplas.

Isto é, de 2 a 3 fobias diferentes em conjunto.

Nesse contexto, alguns outros exemplos de fobias específicas (3) têm como objeto ou situação:

  • Algum animal (aranhas, insetos, cachorros)
  • Ambientes (alturas elevadas, águas)
  • Estar em alguma situação específica (locais fechados, elevadores, viajar de avião)

Qual o comportamento de alguém com medo de agulha?

A princípio, a reação de quem possui pavor de agulha pode mudar de pessoa para pessoa.

No entanto, quase sempre, o comportamento conta com os chamados “comportamentos de esquiva”.

Isto é, a fuga completa do contato com o estímulo fóbico, como forma de evitar “a qualquer custo” a exposição tão temida.

Por outro lado, a ansiedade pode se manifestar simplesmente ao se pensar no estímulo.

No geral, indivíduos com fobias experienciam:

  • Pânico e medo
  • Falta de ar
  • Tremores no corpo
  • Suor excessivo

Além disso, pessoas com fobia de agulha (e também de sangue) frequentemente podem demonstrar uma resposta na forma de desmaio (síncope vasovagal) ou quase desmaio.

Entretanto, quando se fala de crianças, essa tarefa costuma ser um pouco mais difícil.

Visto que é normal que crianças pequenas apresentem medos específicos excessivos.

Para a suspeita do diagnóstico, é necessário observar se a reação da criança inclui choros, manifestações de birra (por exemplo, gritos) ou tentar se manter imóvel ou se agarrar a alguém.

Em geral, deve-se avaliar com cuidado o grau de prejuízo e a duração das manifestações de medo e ansiedade.

Aliás, o mesmo serve também para adolescentes e adultos, pois nem todos os tipos de medo necessitam de tratamento.

Como lidar com o medo de agulha?

Entrar em contato com agulhas é uma situação que procura ser evitada por qualquer um que possui algum grau de medo, certo?

No entanto, existem aqueles que suportam o medo de agulha mesmo com muito sofrimento.

Isso porque elas fazem parte de muitos contextos de cuidado da saúde (por exemplo, durante os exames de sangue).

Nesse sentido, muitas pessoas adotam táticas para trazer alívio, como técnicas de respiração, não olhar para a agulha ou estar com alguém de confiança por perto.

Além disso, quando houver a disponibilidade, o uso de dispositivos médicos com algum tipo de decoração para tornar a aparência mais agradável parece ajudar a atenuar o medo (4).

Entretanto, se o grau de prejuízo for desproporcionalmente grande e persistente, pode ser necessário buscar ajuda médica e psicológica.

Esses profissionais oferecerão melhores formas de lidar com fobias como o medo de agulha.

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(Autor)

Thays Alvaro é estudante de psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente no 5° período da graduação, já participou de diversas atividades extracurriculares ligadas à Neurociências, como a ocupação de palestrante no evento Escola com Ciência, promovido através do NuPEDEN UFF (Núcleo de Pesquisa, Ensino Divulgação e Extensão em Neurociências da UFF) e de monitora no X Curso de Verão em Neurociências, realizado pelo Portal do Candidato da Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bee). Tem como grande paixão a língua francesa, da qual é certificada com diplomas DELF A1, A2 e B2. Secretamente cinéfila, é vista nos momentos livres sempre maratonando filmes (principalmente aqueles que são sobre dança, sua arte favorita). No momento escreve para o Vitalismo e busca contribuir, diariamente, para o firmamento de uma psicologia diversa, sensível e inclusiva.

William Fan (Revisor)

William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo. Seus interesse incluem entender como aplicar o conhecimento das pesquisas científicas com os melhores níveis de evidência no desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

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