Terror Noturno: Quando Dormir Se Torna um Pesadelo

O terror noturno (terror do sono) é um distúrbio do sono em que a pessoa “desperta” repentinamente em pânico, mas não se recorda do evento no dia seguinte.

Em geral, acontece com maior frequência em crianças, sendo raro em adultos.

Também é considerado um tipo de parassonia, ou seja, é caracterizado por comportamentos físicos ou verbais indesejáveis, por exemplo, chorar ou falar durante o sono (1). 

No entanto, diferente dos pesadelos que também são um tipo de parassonia, o terror do sono não ocorre na fase do sono profundo.

Então, se você já presenciou alguém que começou a gritar enquanto dormia e não se lembrou de nada no dia seguinte, é possível que você testemunhou um caso de terror noturno.

Neste artigo vamos entender melhor sobre seu funcionamento.

Quais são as causas do terror noturno?

A causa do terror noturno ainda não é bem estabelecida. No entanto, a genética é um fator que pode influenciar na sua origem. Além disso, há fortes correlações do terror do sono com febres e doenças, atividade física em excesso, ingestão exagerada de cafeína ou álcool, falta de sono, exaustão e estresse emocional.

Mas afinal, como funciona o terror noturno?

O terror noturno é um tipo de parassonia em que o indivíduo tem episódios de “despertar” súbitos causados por uma sensação de terror generalizada.

No geral, esse “despertar” durante a noite se inicia com gritos ou choros de pânico.

Além disso, são acompanhados por uma sensação de medo intenso que pode causar sintomas físicos como coração acelerado, suor excessivo e respiração rápida. 

Apesar disso, a pessoa não se lembra do episódio ao acordar na manhã seguinte.

Os episódios de terror do sono podem durar cerca de 10 a 20 minutos e o mais comum é que aconteça apenas um episódio durante a noite.

Assim, é difícil que o terror noturno aconteça mais de uma vez por noite e é raro acontecer em cochilos durante o dia.

Além disso, o terror noturno ocorre antes de entrarmos na fase do sono profundo (‘sono não REM’).

Diferente dos pesadelos, que acontecem durante o ‘sono REM’ (fase do sono profundo em que acontece os sonhos e a fixação da memória)

Como identificar se eu tenho terror do sono?

Os episódios de terror noturno podem ser suspeitados através de alguns comportamentos, como: 

  • Sentar-se repentinamente gritando ou chorando na cama 
  • Relativa ausência de resposta da pessoa durante o ataque, ou seja, o indivíduo não responde às tentativas de ser acordado ou reconfortado por outra pessoa
  • Pouca ou nenhuma lembrança do sonho, conseguindo se recordar apenas de imagens fragmentadas e não conseguindo retomar sentimentos, sons e imagens
  • Amnésia (perda da memória) em relação ao episódio de terror que vivenciou na noite anterior
  • Sofrimento significativo por causa dos episódios de terror, assim como prejuízos no meio social, profissional ou em relacionamentos interpessoais  
  • As perturbações não acontecem por abuso de alguma substância, como drogas e remédios, e nem devido a outros transtornos mentais

A partir disso, é essencial dizer que como o indivíduo não se lembra do que aconteceu, é muito difícil que ele busque auxilio sozinho.

Dessa forma, os familiares e amigos são muito importantes para ajudar a suspeitar se uma pessoa sofre de terror noturno.

Em todo caso, a avaliação de um profissional é importante para se confirmar a suspeita.

Mas será que existe tratamento para terror noturno? 

Os casos de terror noturno estão presentes na maioria das vezes em crianças (2).

Sendo que, com o avançar da idade tendem a diminuir ou sumir totalmente.

Assim, não há nenhum tratamento específico para o terror do sono, que geralmente é passageiro.

No entanto, se o quadro estiver trazendo prejuízos para o dia a dia da pessoa, a terapia pode ajudar a diminuir a frequência dos episódios.

Por outro lado, não se recomenda o uso de medicamentos para tratar pessoas com terror do sono.  

Além disso, práticas que também podem auxiliar a diminuir a frequência dos episódios incluem:

  • Ter uma rotina com horário certo para dormir
  • Não consumir alimentos estimulantes antes de deitar, por exemplo, café ou bebidas energéticas
  • Deitar-se em ambiente escuro

Do mesmo modo, a tranquilidade das pessoas que estão presentes no momento dos episódios de terror é muito importante para garantir a segurança de quem tem o distúrbio.

É essencial não acordar a pessoa se você desconfia que está presenciando um episódio de terror noturno.

Isso porque a pessoa pode ter reações agressivas.

Portanto, o ideal é encaminhá-la de volta para a cama.

Este artigo te ajudou?

Olá! Meu nome é Sandy Rodrigues, sou estudante de psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF) com previsão de formação para o segundo semestre de 2023. Faço parte como voluntária de um projeto de extensão que pesquisa sobre a saúde de professores, nesse projeto são realizadas entrevistas que visam entender a dinâmica de trabalho e buscar meios de melhorar a saúde desse trabalhador. Também sou bolsista de iniciação científica para desenvolvimento de aplicativos para estimulação cognitiva de idosos e crianças. Além disso, tenho diversos cursos extracurriculares na área de psicologia, como o III curso introdutório da liga acadêmica de autismo da UNIFESP e o de Neuropsicofarmacologia da LiFaC - UFF, sempre em busca de mais conhecimento a fim de me tornar uma profissional ética e comprometida. Para além da faculdade, passo meu tempo me arriscando na confecção de bolos e procurando o passatempo perfeito (séries e livros têm sido boas escolhas). Atualmente escrevo para o Vitalismo com o intuito de contribuir com a disseminação de informações seguras e acessíveis, levando maior conhecimento para as pessoas a respeito de diversos temas que atravessam a psicologia.

William Fan (Revisor)

William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo. Seus interesse incluem entender como aplicar o conhecimento das pesquisas científicas com os melhores níveis de evidência no desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

1 Comentário
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    Nathalia

    6 de novembro de 2021 às 19:23

    Texto muito bom !! Explicativo com uma linguagem bem acessível

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