Raiva (hidrofobia): Que animais podem Me Infectar? Tem Cura?

É provável que você já tenha ouvido falar na raiva.

Isso porque é uma doença bastante conhecida, que é associada à mordida de animais.

Apesar de ser muito grave e quase sempre levar à morte, a raiva está se tornando cada vez mais rara.

Inclusive, no Brasil, no período de 2014 a 2020, houve apenas 39 casos da condição (1).

Nesse artigo, você vai entender mais sobre essa doença e seus sintomas.

Além disso, vai ler sobre a vacinação e a prevenção.

O que é a raiva humana?

Também conhecida como “hidrofobia”, a raiva é uma doença infecciosa causada pelo vírus Lyssavirus Rhabdoviridae. A raiva em humanos é adquirida, em geral, através do contato com a saliva de um animal infectado pelo mesmo vírus, geralmente após uma mordida. 

Essa doença causa uma encefalite (inflamação no cérebro) e, por isso, quase sempre é fatal.

Transmissão da raiva

Em princípio, a transmissão do vírus da raiva ocorre através da saliva de animais infectados.

De maneira geral, qualquer mamífero pode ter a infecção.

Mas existem alguns animais que apresentam maior probabilidade de transmitir a doença aos humanos, por exemplo:

  • Morcegos
  • Cães (2)
  • Gatos
  • Gambás
  • Macacos
  • Furões

Em resumo, a transmissão se dá quando o animal com raiva morde uma pessoa.

No entanto, também existem outras formas (mais raras) do vírus de se espalhar (3).

A primeira delas é a transmissão quando a saliva entra em contato (através de lambidas) com ferida aberta ou mucosas.

E por fim, a transmissão por transplante de órgãos infectados (4).

Sintomas de raiva

  • Febre
  • Náuseas
  • Dores de cabeça
  • Vômito
  • Agitação
  • Ansiedade
  • Confusão mental
  • Hiperatividade
  • Salivação excessiva (“espumação”)
  • Alucinações
  • Espasmos musculares
  • Hidrofobia (espasmo doloroso na mandíbula ao ver e tentar ingerir água)

Para entender esses sintomas, vamos compreender o que o vírus da raiva faz no corpo (5).

Em primeiro lugar, após a infecção, aparecem os sintomas inespecíficos (que são comuns em qualquer infecção), como: febre, mal-estar e dor de cabeça.

Em seguida, o vírus chega até o sistema nervoso e causa uma encefalite (inflamação cerebral).

Então, a infecção se espalha pelo sistema nervoso periférico e se instala em áreas altamente inervadas, por exemplo, as glândulas salivares.

Por causa dessa invasão no sistema nervoso, surgem os demais sintomas, como a “espuma” característica que aparece por conta da hipersalivação.

Por fim, o vírus avança e leva a uma falha completa de todo o sistema nervoso, causando a morte na maioria dos casos.

Existe tratamento para raiva?

Infelizmente, a raiva não tem cura.

Por isso, quando os sintomas clínicos aparecem, a doença é quase sempre fatal.

No entanto, em 1885, o cientista Pasteur desenvolveu a vacina antirrábica que usamos até hoje.

Essa vacina é obrigatória para cães e gatos em diversos municípios do Brasil, por exemplo (6).

Além disso, ela pode ser utilizada em casos de acidentes em que há mordidas desses animais em humanos.

Ou seja, caso você seja mordido por um gato ou um cachorro desconhecido ou, então, por um morcego, deve procurar o serviço de saúde o mais rápido possível.

Quanto ao ferimento da mordida, é importante que seja lavado abundantemente com água e sabão e aplicação de anti-séptico.

Ao chegar ao serviço de saúde, existem algumas opções para a prevenção da doença:

  • Utilizar imunoglobulina humana antirrábica (são anticorpos de origem humana)
  • Utilizar soro antirrábico heterólogo (anticorpos de origem animal)

Por fim, saiba que em todos os casos é feita a administração de até 5 doses da vacina antirrábica.

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Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB - UNESP). Entrei na faculdade movida pela paixão e vocação de cuidar e ajudar as pessoas.Aqui no Vitalismo, tive oportunidade de alcançar e ajudar muitas pessoas além de meus pacientes.Desde o início da faculdade, minha área de interesse e vocação é a saúde da mulher (ginecologia e obstetrícia). Por isso, sempre estive envolvida em projetos de iniciação científica e de extensão que abordassem essa temática.Já fui presidente da liga de ginecologia da UNESP, organizei eventos e simpósios sobre o tema.Atualmente sou coordenadora do projeto Papo de Parto, em parceria com a UNESP e PROEX. Além disso, se você estiver em algum evento de ginecologia e obstetrícia, pode me procurar pois estarei lá!

William Fan (Revisor)

William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo. Seus interesses incluem entender como aplicar o conhecimento de pesquisas científicas no desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

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