Tétano: Saiba o Porquê das Contrações Musculares Dolorosas

    O tétano é uma doença grave provocada pela bactéria (um ser microscópico) Clostridium tetani (1).

    Nos países desenvolvidos, esta é uma doença rara devido à eficiência no esquema de vacinação (2).

    Contudo, nos países em desenvolvimento ainda existem casos dessa condição, com altos índices de mortalidade.

    Por isso, neste artigo você irá conhecer as possíveis formas de contágio do tétano e quais são seus sintomas.

    Também aprenderá diferentes maneiras para evitar essa condição.

    Como saber se eu peguei tétano?

    Sem dúvida, os maiores sinais de que você contraiu tétano são os seus sintomas. Eles são indicativos de uma emergência médica e podem incluir:

    • Rigidez nos músculos, sobretudo na mandíbula (principal osso da parte inferior da mastigação)
    • Rigidez dos músculos do pescoço
    • Espasmos musculares dolorosos
    • Pressão alta
    • Aumento dos batimentos do coração
    • Sudorese (suor)
    • Febre

    Saiba que os sinais e sintomas do tétano podem aparecer a qualquer momento após a infecção.

    Contudo, o período médio de incubação (tempo entre o período de exposição ao agente que causou a doença até a manifestação dos primeiros sintomas) é de cerca de 10 dias.

    Mas afinal, o que causa o tétano e por que esses são os seus sintomas?

    Esta doença nada mais é do que uma infecção causada por uma bactéria (um ser microscópico).

    Em geral, as bactérias que causam esta condição podem sobreviver na forma de esporos (forma resistente capaz de sobreviver em condições desfavoráveis) por anos no solo, em poeira, fezes de animais e na superfície de objetos.

    Depois que esses esporos entram no corpo através de um ferimento, eles se multiplicam e produzem uma toxina, a tetanospasmina.

    A toxina se liga aos nervos que controlam os movimentos dos músculos do corpo (os neurônios motores) e isso compromete o seu bom funcionamento (3).

    Por isso, o sintoma mais característico dessa condição acaba por serem as contrações musculares dolorosas e involuntárias, manifestadas nos espasmos e na rigidez muscular.

    Aliás, isso pode acontecer nos músculos do corpo todo ou ainda se concentrar nos músculos próximos ao local do ferimento, como no caso do tétano cefálico.

    Transmissão

    De modo geral, você pode contrair essa condição ao se machucar com algum objeto contaminado pela bactéria C. tetani, enquanto não está imunizado contra essa doença através da vacina.

    Inclusive, é importante ressaltar que isso pode ocorrer de diferentes maneiras.

    Elas incluem:

    • Cortes provocados por objetos que perfuraram a pele, como prego ou agulha
    • Feridas contaminadas com fezes de animais ou sujeira
    • Queimaduras
    • Mordidas de animais
    • Procedimentos cirúrgicos
    • Uso de drogas intravenosas (injetadas diretamente dentro das veias)
    • Lesões por tecido morto, como a gangrena
    • Lesões por esmagamento, como em acidentes

    Quando procurar ajuda médica?

    De modo geral, é importante procurar por atendimento médico em caso de ferimentos extensos, profundos ou com muita sujeira em alguma região do corpo.

    Será importante para realizar a higienização da ferida e o curativo apropriado, além de outros cuidados que venham a ser necessários.

    Em especial, se você não foi imunizado ainda nos últimos 10 anos ou não se lembra, precisará também receber uma dose de reforço.

    Pois essa é uma doença grave e ainda não existe cura para ela.

    Além disso, caso apresente sintomas sugestivos da doença com espasmos e rigidez muscular, é fundamental que um serviço de emergência seja acionado de imediato.

    Embora a cura não seja viável, quando a doença se inicia, há formas de se minimizar os danos da doença e oferecer suporte para eventuais complicações graves (4).

    Por fim, vale ressaltar que se você estiver grávida e não está com a vacinação em dia, é fundamental que realize um acompanhamento médico.

    Isso porque existe o risco de haver o tétano neonatal e materno (5).

    O tipo neonatal pode acontecer quando o coto umbilical, (parte que restou após o corte do cordão umbilical do bebê após nascer) do recém-nascido está infectado.

    Saiba que essa é uma condição séria e pode ser fatal para o bebê.

    Enquanto o tipo materno se dá quando a infecção compromete o útero após o parto.

    Tratamento

    Uma vez estabelecida a doença, não há como desfazer a ligação da toxina aos nervos que controlam o movimento dos músculos.

    Por isso, essa doença não tem cura (reversão de danos já causados).

    Contudo, o seu tratamento pode ser eficiente ao controlar os sintomas advindos da ação dessas substâncias tóxicas.

    Também pode impedir que mais toxinas se liguem aos nervos.

    Além disso, também podem ser oferecidos alguns cuidados de suporte para auxiliar na recuperação dessa condição, como o uso de ventilador mecânico para respirar.

    Assim sendo, o seu tratamento (6) pode incluir:

    • Uso de imunoglobulinas humanas antitetânicas para neutralizar a ação das toxinas que ainda não se ligaram aos nervos
    • Uso de antibióticos para combater as bactérias
    • Alguns sedativos podem ser administrados para conter os espasmos musculares
    • Algumas outras drogas podem ser incluídas no tratamento para conter os movimentos involuntários
    • Vacinação
    • Higienização adequadas da ferida para impedir o crescimento da bactéria

    Mas vale mencionar ainda que existem fatores de risco que aumentam as chances de contrair tétano.

    Esses fatores incluem:

    • Não ser vacinado ou não seguir o esquema de vacinação de forma adequada
    • Idade superior a 60 anos
    • Coto umbilical mal higienizado (resto do cordão umbilical após o corte que fica no umbigo do bebê após seu nascimento)
    • Diabetes
    • História de imunossupressão (quando está frágil o sistema imune, responsável pela defesa do corpo)

    Complicações

    Algumas das consequências da progressão da infecção por tétano incluem:

    • Dificuldade grave para respirar
    • Embolia pulmonar (bloqueio da artéria principal do pulmão ou de um de seus ramos por meio da presença de um coágulo ou outro tipo de êmbolo trazido pela corrente sanguínea)
    • Pneumonia por aspiração (infecção pulmonar desencadeada por entrada de corpo estranho nas vias respiratórias próximas ao pulmão)
    • Laringoespasmo (“aperto” involuntário e descontrolado das cordas vocais, o que impede passagem de ar para os pulmões)
    • Fratura de ossos
    • Insuficiência cardíaca

    Prevenção de tétano

    Sem dúvida, a vacinação é o recurso de prevenção mais eficiente contra essa doença.

    Geralmente a vacina é preventiva também para mais outras duas doenças que são difteria e coqueluche (7).

    Portanto, para se proteger é preciso se imunizar nas seguintes idades.

    • 2 meses
    • 4 meses
    • 6 meses
    • 15 a 18 meses
    • 4 a 6 anos
    • 11 a 12 anos
    • Por fim, dose de reforço a cada 10 anos

    Felizmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece todas as vacinas de forma gratuita no Brasil (8).

    Também é ofertado educação em saúde por meio de cartilhas para que a população tenha acesso às informações relacionadas à doença.

    Por fim, há outro meio que pode ajudar a evitar contrair o tétano.

    Isso pode ser feito ao se ter um cuidado imediato e adequado da ferida ou de qualquer fissura (“rachadura”) na pele, pois são medidas que também podem auxiliar na prevenção desta doença.

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    (Autor)

    Discente do curso de enfermagem pela Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais. Atuante na Atenção Básica à Saúde na cidade de Alfenas, sobretudo nas áreas de Saúde da Mulher e Cuidados Paliativos. Membro voluntário do projeto de extensão “PaliAB” pela Universidade Federal de Alfenas.Neste projeto, os extensionistas estabelecem uma relação de reciprocidade com os profissionais da Estratégia da Saúde da Família (ESF) e com os pacientes assistidos neste nível de Atenção à Saúde, sob a ótica dos Cuidados Paliativos (CP).Os participantes deste projeto contribuem para melhora na qualidade de vida dos pacientes por meio de planos de cuidados desenvolvidos juntamente com os profissionais das ESFs, para aliviar o sofrimento físico, social, espiritual e psicológico das pessoas e de sua rede de apoio sob CP.Além disso, ela atua no desenvolvimento de pesquisas para aprimorar o conhecimento sobre esta área, publica diversos trabalhos sobre a temática e disponibiliza cursos e cartilhas para os profissionais da ESF e cartilhas para população juntamente com os membros do projeto.Por fim, ela prioriza um cuidado integral, respeitoso e digno tanto às pessoas assistidas pela Atenção Básica quanto aos profissionais que atuam neste nível de assistência à saúde.

    William Fan (Revisor)

    William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo e entusiasta da conciliação entre as pesquisas científicas com os melhores níveis de evidência e o desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

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