Transtorno Obsessivo-Compulsivo: É Igual Perfeccionismo?

    Você sabe o que é o transtorno obsessivo-compulsivo?

    Mesmo que a resposta seja ‘não’, é provável que você já tenha ouvido falar da sigla desse transtorno: TOC.

    Popularmente, muitas pessoas usam o termo “TOC” para se referir a uma pessoa com “mania” de limpeza ou de arrumação.

    Embora realmente seja comum pessoas com TOC apresentarem obsessão e compulsão por limpeza, esse transtorno é bem mais sério e complexo do que isso.

    Portanto, nesse artigo, vou lhe explicar o que de fato é o transtorno obsessivo-compulsivo e quais são seus principais sintomas.

    O que é transtorno obsessivo-compulsivo?

    O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição na qual o indivíduo apresenta crenças, pensamentos e medos (obsessões) que podem levar a comportamentos repetitivos (compulsões) (1). As obsessões são involuntárias e causam muita ansiedade e estresse. Em algumas pessoas, a única forma de aliviá-las é realizando os atos compulsivos.

    Estima-se que 10 a cada 1000 homens e 15 a cada 1000 mulheres tenham TOC (2).

    Além disso, os primeiros sintomas surgem, em média, entre os 19 e 20 anos de idade.

    Quais são os sintomas de TOC?

    Em geral, pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo apresentam tanto obsessões, quanto compulsões.

    Entretanto, é possível também que ocorram apenas os sintomas de obsessão ou apenas os de compulsão em certos casos.

    Obsessões no transtorno obsessivo-compulsivo

    As obsessões são caracterizadas por pensamentos, impulsos ou imagens persistentes e recorrentes.

    Eles surgem de forma inesperada e invasiva causando muita ansiedade e estresse.

    Por conta disso, a pessoa busca ignorar ou se livrar das obsessões por meio de outros pensamentos ou ações, por exemplo pela realização das compulsões.

    Exemplos de obsessões incluem:

    • Medo de se contaminar ao tocar objetos que outras pessoas tocaram
    • Dúvida e dificuldade de lidar com incertezas, por exemplo, se trancou a porta ou desligou o forno
    • Pensamentos agressivos e indesejados sobre perda de controle, machucando os outros ou a si próprio (3) (por exemplo, se imaginar atropelando uma multidão ou se furando com uma faca)
    • Necessidade de manter tudo simétrico, organizado e em ordem
    • Pensamentos a respeito de gritar frases obscenas em público ou agir de maneira inapropriada
    • Pensamentos impróprios a respeito de temas religiosos

    É importante ressaltar que a pessoa com transtorno obsessivo-compulsivo sente medo e não desejo com relação às suas obsessões.

    Por exemplo, ela não quer gritar obscenidades em público ou atropelar pessoas, mas ela sente medo que isso possa ocorrer, mesmo sem fundamentos para acreditar nisso.

    Compulsões no transtorno obsessivo-compulsivo

    Já as compulsões são comportamentos repetitivos dos quais a pessoa se sente induzida a praticar em resposta às obsessões ou outra regra que deve ser seguida de forma rígida.

    Esses comportamentos são feitos com a intenção de prevenir ou reduzir a ansiedade e o estresse causados pelas obsessões.

    Alguns exemplos de compulsões são:

    • Lavar as mãos repetidamente até sentir que “está certo” (4) (às vezes, pode acontecer tanta compulsão que as mãos até ficam em “carne viva”)
    • Checar as portas inúmeras vezes para garantir que estão fechadas
    • Checar o fogão repetidamente para confirmar se foi desligado
    • Fazer uma contagem de números repetidas vezes (por exemplo: de 1 a 20)
    • Repetir uma palavra, frase ou oração de forma silenciosa

    Tanto as obsessões quanto as compulsões podem interferir de forma importante na rotina da pessoa, consumindo, muitas vezes, mais de 1 hora do dia.

    Quando procurar um médico?

    Existe diferença entre ser perfeccionista, ou seja, alguém que busca resultados e desempenho perfeitos, e possuir transtorno obsessivo-compulsivo.

    No TOC, os pensamentos não se limitam a problemas reais como manter as coisas limpas e organizadas.

    Mas incluem também uma preocupação e ansiedade excessivas com situações irreais, como o medo de perder o controle ou de falar algo obsceno.

    Assim, procure um médico caso suas obsessões e/ou compulsões estejam prejudicando sua qualidade de vida ou atrapalhando sua rotina diária.

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    (Autor)

    Como graduando do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) e escritor do Vitalismo tenho como propósito trazer informações sobre saúde de qualidade e baseadas em evidências científicas com uma linguagem de fácil acesso para toda a população. Ingressei no curso de Medicina em 2018 por vocação e amor ao cuidado. Agora tenho a oportunidade de levar essa minha paixão para todos leitores do Vitalismo. Além disso, sou fundador da Liga de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da UNESP e atualmente sou coordenador da Liga de Ortopedia de Botucatu.

    William Fan (Revisor)

    William Fan é médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Fez estágios clínicos em Oncologia Clínica e Medicina de Emergências na Prince of Wales Hospital, afiliada da University of New South Wales, Sydney, Australia (UNSW) e que faz parte do prestigiado Group of Eight, grupo que reúne as 8 instituições líderes de excelência em ensino e pesquisa da Austrália. Além disso, colaborou no desenvolvimento de um projeto científico da Centre for Vascular Research, na UNSW. Tem também publicações científicas em periódicos (revistas) internacionais de impacto na comunidade científica em áreas de pesquisa experimental e pesquisa clínica, abrangendo as áreas de biologia do câncer, doenças cardiovasculares, além de ser co-autor de uma revisão sistemática e meta-análise. Foi certificado pelo programa Sharpen Your Communication Skills da Stanford Graduate School of Business. Atualmente é revisor científico do Vitalismo. Seus interesse incluem entender como aplicar o conhecimento das pesquisas científicas com os melhores níveis de evidência no desenvolvimento de tecnologias para melhorar a saúde das pessoas. Nos momentos livres, gosta de estudar idiomas (atualmente fala Inglês, Chinês Mandarim e Alemão), fazer leituras, acompanhar debates inteligentes, jogar basquete e experimentar diferentes culinárias.

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